Bullying escolar

Bullying escolar: como identificar, agir e evitar

Você sabia que o bullying escolar é uma forma de violência? Descubra o que fazer para lidar com ela no ambiente escolar.

O termo “bullying” vem da palavra inglesa bully, e se refere a pessoas que intimidam, agridem ou se aproveitam de outras pessoas – ou seja, são os tais valentões, brigões.

Mesmo sem uma tradução em português, o termo já está amplamente difundido no Brasil e é entendido como ameaça, maltrato, opressão, intimidação e humilhação.

Para Cléo Fante, autora do livro Fenômeno Bullying: Como Prevenir a Violência nas Escolas e Educar para a Paz, o bullying é uma das formas de violência que mais cresce no mundo e pode se dar em qualquer contexto social, como escolas, universidades, famílias, vizinhança e locais de trabalho.

Mas como detectar se você ou alguém próximo está sofrendo bullying? Dá para evitá-lo? Como devemos lidar com o bullying escolar nas instituições de educação?

A resposta para essas e outras perguntas você verá adiante neste post.

Caso tenha dúvidas, deixe seu comentário no final desta página.

Boa leitura!

Introdução – Sinais do Bullying

O que, à primeira vista, pode parecer um simples apelido inofensivo pode afetar emocional e fisicamente o alvo da ofensa.

Os efeitos sobre o alvo são o ponto principal do Bullying, situação que se caracteriza por qualquer forma de agressão verbal ou física, feita de maneira intencional e repetitiva por um ou mais alunos contra um ou mais colegas.

Essas agressões são construídas dentro de uma relação desigual de poder e acontecem sem motivo evidente.

Entre os meninos, essas ações são mais expansivas e agressivas, como chutar, bater, empurrar. Portanto, mais fáceis de identificar. Já no universo feminino o problema se apresenta de forma mais velada, através de fofocas, boatos, olhares, sussurros e exclusão.

Mas um dos principais desafios para a identificação do bullying escolar é justamente o fato de muitas dessas práticas serem aceitas como meras brincadeiras pelos próprios pais e professores que vêem normalidade no fato das crianças se darem apelidos, fazerem gozações ou chacotas umas com as outras.

Muitos desses adultos usam a famosa frase “eu também passei por isso” como justificativa. No entanto, vale entender que cada indivíduo encara as dificuldades de maneira diferente.

Aramis Lopes, presidente do Departamento Científico de Segurança da Criança e do Adolescente da Sociedade Brasileira de Pediatria, explica que muitas vezes, quando o aluno resolve conversar, não recebe a atenção necessária, pois a escola não acha o problema grave, e então deixa passar.

Além de um possível isolamento ou queda do rendimento escolar, as crianças e adolescentes que passam por humilhações racistas, separatistas ou difamatórias podem apresentar doenças psicossomáticas ou sofrer de algum tipo de trauma que influencie traços da personalidade na fase adulta.

Eis alguns sinais de alerta para pais e professores que identificam que uma criança pode estar sofrendo bullying escolar:

  • Hematomas, arranhões ou cortes sem explicação convincente
  • Roupas rasgadas e materiais escolares estragados
  • Isolamento
  • Medo de ir sozinho ou não querer ir à escola
  • Queda no rendimento escolar
  • Muda o trajeto que leva à escola
  • Chega em casa faminto, pois pode ter tido seu dinheiro do lanche roubado
  • Frequentes perdas de objetos, já que pode estar sendo vítima de extorsão
  • Ter poucos amigos e pouco convidado para atividades
  • Não quer sair de casa
  • Mostra-se triste, solitário, choroso e estressado
  • Irritabilidade
  • Dores de cabeça, de barriga e aftas
  • Perda do apetite
  • Insônia
  • Baixa na imunidade
  • Pensamentos suicidas

Alguns sinais isolados da lista podem não caracterizar bullying. No entanto, quanto mais desses sinais a criança apresentar, maior é a chance de ele realmente estar sendo um alvo.

O bullying escolar é preocupante porque pode chegar a afetar o estado emocional do jovem de tal forma que faça ele optar por soluções mais trágicas, como automutilação e suicídio em casos extremos.

Mas os efeitos do bullying também recaem sobre aqueles que o praticam. A criança que é “bullied” pode se tornar um adulto com comportamentos antissociais e violentos. Podendo vir a adotar, inclusive, atitudes delituosas.

Por todos esses motivos, o Bullying é um problema mundial encontrado em toda e qualquer escola que precisa ser debatido e combatido.

Bullying escolar: como lidar?

É preciso ter em mente que todo ambiente escolar pode apresentar esse problema, e o primeiro passo para combatê-lo é admitindo que a escola é um local passível de bullying escolar.

Professores e alunos precisam ficar cientes do que é o problema e deixar claro que o estabelecimento não admitirá a prática.

As escolas, por sua vez, não devem fechar os olhos para o bullying, encarando a instituição apenas um local de ensino formal. Seu papel é também de formação cidadã, de direitos e deveres, amizade, cooperação e solidariedade, e agir contra o bullying é uma maneira barata e eficiente de diminuir a violência até mesmo na sociedade.

A Associação Brasileira Multiprofissional de Proteção à Infância e Adolescência (Abrapia) traz como sugestão as seguintes atitudes para um ambiente saudável na escola:

– Conversar com os alunos e escutar atentamente reclamações ou sugestões

– Estimular os estudantes a informar os casos

– Reconhecer e valorizar as atitudes da garotada no combate ao problema

– Criar com os estudantes regras de disciplina para a classe em coerência com o regimento escolar

– Estimular lideranças positivas entre os alunos, prevenindo futuros casos

– Interferir diretamente nos grupos, o quanto antes, para quebrar a dinâmica do bullying

Conclusão

É claro que existem as brincadeiras entre colegas no ambiente escolar. Mas é importante e altamente necessário distinguir o limiar entre uma piada aceitável e uma agressão.

Para o pediatra Lauro Monteiro Filho, não é tão difícil como parece. Basta que o professor se coloque no lugar da vítima e se pergunte se o apelido é engraçado. Ou como se sentiria se fosse chamado assim.

Os especialistas Cléo Fante e José Augusto Pedra, autores do livro Bullying Escolar também dão algumas sugestões aos educadores para a prevenção do bullying, como:

– Incentivar a solidariedade, a generosidade e o respeito às diferenças por meio de conversas e campanhas de incentivo à paz e à tolerância,

– Trabalhos didáticos, como atividades de cooperação e interpretação de diferentes papéis em um conflito;

– Desenvolver em sala de aula um ambiente favorável à comunicação entre alunos;

– Quando um estudante reclamar de algo ou denunciar o bullying, procurar imediatamente a direção da escola.

Validar os princípios de respeito desde cedo, apontando que todos devem ser respeitados, independentemente de se dar bem ou não com uma pessoa, faz parte do trabalho dos educadores na prevenção do bullying.

Não adianta, porém, pensar que o bullying só é problema dos professores quando ocorre do portão para dentro. É papel da escola construir uma comunidade na qual todas as relações são respeitosas e também conscientizar os pais e os alunos sobre os efeitos das agressões fora do ambiente escolar, como na internet, por exemplo.

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